Como medir o próprio desempenho

Taxa de acerto sozinha não diz se você ganha dinheiro: dá para acertar oito de cada dez operações e terminar no prejuízo. A pergunta certa é quanto cada operação devolve em média, e quem responde isso é a expectativa, apoiada pelo fator de lucro e pela relação entre ganho e perda médios. Ver a taxa de acerto mínima que a sua relação risco-retorno exige

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Este guia separa as métricas por pergunta: o que já aconteceu, se a estratégia tem vantagem, e onde o dinheiro está vazando. Nessa ordem, porque olhar tudo de uma vez é o mesmo que não olhar nada.

Para aprofundar cada peça desta conta: Calculadora de taxa de acerto mínima · Expectancy · Fator de lucro

Primeiro: a pergunta não é quantas vezes você acertou

Taxa de acerto é a métrica mais citada e a mais fácil de interpretar errado. Ela não tem significado sem o tamanho médio do ganho e da perda ao lado. Acertar 80% das vezes ganhando pouco e perdendo muito nas outras 20% é uma conta que termina negativa.

O inverso também vale: 35% de acerto pode ser uma estratégia excelente se cada ganho pagar três perdas. É por isso que a taxa de acerto entra depois, como coadjuvante, e não como primeiro número da tela.

A métrica que responde se vale a pena: expectativa

Expectativa é o resultado médio por operação. Em dinheiro, é o que você espera levar, na média, cada vez que envia uma ordem. Positiva, a estratégia constrói; negativa, a conta só sobrevive enquanto a sorte durar.

A conta combina os quatro números que você já tem: taxa de acerto, ganho médio, taxa de erro e perda média. Multiplica-se o que se ganha pela frequência com que se ganha, subtrai-se o que se perde pela frequência com que se perde. No TCC ela aparece como Expectativa, na tela da conta, com a observação de que o valor é por operação.

Uma expectativa levemente positiva num volume alto de operações vale mais do que uma alta em três operações. O número só passa a significar algo depois de uma amostra grande, e é honesto olhar para ele com desconfiança nas primeiras semanas.

A métrica que resume o saldo: fator de lucro

Fator de lucro é tudo o que entrou dividido por tudo o que saiu. Acima de 1, a soma dos ganhos supera a das perdas. Abaixo, não. É o resumo mais direto que existe, e aparece no TCC como Fator de Lucro tanto na conta quanto no painel.

A limitação: ele não distingue muitos ganhos pequenos de um ganho enorme que carregou o período inteiro. Um fator de lucro de 1,8 sustentado por uma única operação é frágil, e essa fragilidade não aparece no número. Por isso ele anda junto com Melhor Dia e Pior Dia, que mostram se o resultado depende de um evento só.

A que define o alvo: relação risco-retorno

A relação risco-retorno compara a distância até o alvo com a distância até o stop. Ela não mede o passado: ela define qual taxa de acerto a sua estratégia precisa ter para empatar. Com alvo igual ao stop, você precisa acertar mais da metade. Com alvo ao dobro, precisa de bem menos.

É a única métrica desta lista que você escolhe antes de operar, e por isso é a mais acionável. A calculadora de taxa de acerto mínima faz exatamente essa conversão, e vale rodá-la antes de decidir onde colocar o alvo.

Sharpe, Kelly, MAE e MFE

Sharpe mede retorno por unidade de oscilação, usando o desvio-padrão dos resultados. Serve para comparar estratégias com volatilidades diferentes, e é comum em relatório de mesa e de fundo. Num histórico curto de trader individual, ele oscila demais para significar muita coisa.

O critério de Kelly calcula a fração do capital que maximiza o crescimento no longo prazo. A fórmula supõe que você conhece sua taxa de acerto e sua relação ganho-perda com precisão, o que raramente é verdade. Na prática, quem usa aplica uma fração do resultado, justamente porque o número cheio é agressivo demais.

MAE e MFE olham dentro da operação: o pior e o melhor ponto pelo qual ela passou antes de fechar. São as métricas que dizem se o seu stop é largo demais ou se o alvo é curto demais. Exigem dado tick a tick, e por isso costumam vir da plataforma de execução, não do controle da conta.

No TCC, Sharpe e Kelly aparecem na tela de análise, a partir do plano TCC Command, calculados sobre os seus próprios resultados. MAE e MFE o TCC não calcula, porque dependem de dado de dentro de cada operação que o controle da conta não recebe.

Quando há aporte e saque: TWR e MWR

Todas as métricas acima olham para operações. Numa conta real existe outra pergunta, que nenhuma delas responde: quanto o seu dinheiro rendeu, se você depositou e sacou no meio do caminho. Aqui há duas respostas diferentes, e as duas estão certas.

O TWR, retorno ponderado pelo tempo, encadeia o resultado de cada período neutralizando a entrada e a saída de capital. Ele julga a estratégia: responde quão bem você opera, como se o saldo nunca tivesse mudado de tamanho.

O MWR, retorno ponderado pelo dinheiro, é a taxa interna de retorno dos seus fluxos reais. Ele julga o seu bolso: leva em conta quanto capital estava exposto em cada momento. Depositar antes de uma queda piora o MWR sem mudar a qualidade da estratégia, que o TWR continua medindo igual.

Quando os dois divergem muito, o problema raramente é a estratégia: é o momento dos aportes e dos saques. No TCC, os dois aparecem lado a lado no módulo financeiro, a partir do plano TCC Command, calculados a partir das movimentações de capital que você registra.

A ordem que funciona

Comece pelo fator de lucro, que responde em um número se o período fechou positivo. Se estiver acima de 1, vá para a expectativa, que diz se o resultado se sustenta por operação e não por sorte. Depois olhe melhor e pior dia, para saber se um evento isolado carregou tudo.

Só então a taxa de acerto entra, ao lado de ganho e perda médios, para explicar de onde vem o resultado. E a relação risco-retorno fecha o ciclo apontando o que mudar na próxima operação.

Em conta de mesa proprietária há um número acima de todos esses: a distância até o limite de perda. Desempenho excelente com margem apertada continua sendo uma conta em risco de encerrar, e nenhuma das métricas desta página captura isso.

  • 1. Fator de lucro — o período fechou positivo?
  • 2. Expectativa — o resultado se sustenta por operação?
  • 3. Melhor e pior dia — um evento isolado carregou tudo?
  • 4. Taxa de acerto com ganho e perda médios — de onde vem o resultado?
  • 5. Risco-retorno — o que mudar na próxima?

FAQ

Qual é um bom fator de lucro?

Acima de 1 já significa que os ganhos superam as perdas. Valores muito altos em poucas operações costumam vir de um resultado isolado, não de consistência. Amostra pequena engana em qualquer métrica.

Dá para ter taxa de acerto alta e perder dinheiro?

Sim, e é comum. Acertar muitas vezes ganhando pouco e perder poucas vezes perdendo muito produz exatamente isso. É o motivo de a taxa de acerto nunca ser lida sozinha.

Quantas operações preciso para os números significarem algo?

Não existe número mágico, mas dezenas de operações dizem pouco e centenas começam a dizer. Desconfie de qualquer métrica calculada sobre uma amostra que caberia numa semana.

O TCC calcula Sharpe e Kelly?

Sim, na tela de análise, a partir do plano TCC Command, junto com TWR e MWR no módulo financeiro. Fator de Lucro e Expectativa aparecem também na tela de cada conta. MAE e MFE o TCC não calcula.

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