R múltiplo
R múltiplo é o resultado de uma operação dividido pelo que se arriscou para abri-la. Se o risco era 200 e saiu 600 de lucro, o resultado é +3R. A unidade torna comparáveis operações de tamanhos, ativos e contas diferentes, que em dinheiro não se comparam. Fazer essa conta agora: diário de operações que serve para alguma coisa
R múltiplo expressa o resultado de cada operação em unidades do risco assumido. É a unidade que faz operações de tamanhos diferentes caberem na mesma média.
O que é 1R, e de onde ele sai
1R é o dinheiro que a operação colocava em risco no instante em que foi aberta: distância da entrada até o stop, multiplicada pelo tamanho da posição. Com 5 lotes de EURUSD e stop a 20 pips, 1R vale 1.000 dólares. Esse número nasce antes da operação e não muda depois.
O R múltiplo é o resultado dividido por 1R. Fechou em 600 de lucro num R de 200: +3R. Fechou no stop: −1R. Saiu no zero a zero: 0R. Não há conversão a fazer nem escala a escolher — a unidade já está na operação.
Por que dinheiro não compara e R compara
Um lucro de 300 reais numa operação que arriscava 1.000 é +0,3R. Um lucro de 150 numa que arriscava 100 é +1,5R. Em dinheiro o primeiro parece o dobro do segundo; em R ele vale um quinto. Quem julga o próprio histórico pelo extrato está comparando números que não falam da mesma coisa.
É por isso que R é a unidade em que o histórico vira estatística. Conta de avaliação, conta fundada e conta real têm tamanhos diferentes; medidas em R, as três entram na mesma média, e a estratégia passa a ser avaliável mesmo quando o capital mudou no meio do caminho.
A expectativa é exatamente a média dos R múltiplos. Sem a unidade, ela não tem o que promediar — e essa é a dependência que faz este verbete vir antes daquele, e não depois.
O erro que infla todo diário: recalcular o R
O erro mais comum é recalcular 1R depois de mover o stop. Quem arrisca 200, leva o stop ao zero a zero e passa a chamar de 1R o risco novo — quase zero — transforma qualquer ganho em número gigante. Todos os R múltiplos do histórico sobem, e nenhum deles é verdade.
A regra é rígida de propósito: 1R é o risco do instante da abertura, escrito antes de saber o resultado. Mover o stop muda o risco que ainda corre, não a unidade em que a operação será medida.
O mesmo vale para operação aumentada no meio. Se a posição dobrou depois da entrada, o R da operação inteira é o risco total efetivamente exposto, não o da primeira parcela.
A perda maior que 1R é o sinal que importa
Uma operação perdedora deveria custar −1R. Quando aparece −1,4R ou −2R, o que se mediu não foi leitura errada de mercado: foi gap, slippage, stop largo demais ou stop não respeitado. São quatro causas diferentes e nenhuma se conserta estudando a estratégia.
Por isso vale separar as perdas em duas listas antes de qualquer média: as que custaram até 1R, que são o preço normal de operar, e as que passaram disso, que são falha de execução. Misturadas, elas viram uma expectativa ruim que ninguém sabe de onde veio.
Em conta de mesa a diferença decide a conta. Duas perdas de −2R num dia consomem o que o plano reservava para quatro operações, e é o limite diário que encerra a conta, não a média do mês.
FAQ
R múltiplo é a mesma coisa que relação risco-retorno?
Não. A relação risco-retorno é planejada, antes da operação: alvo dividido por stop. O R múltiplo é realizado, depois dela: resultado dividido pelo risco. Plano de 3:1 que fechou na metade do caminho é +1,5R.
Como calcular 1R quando opero vários ativos?
Sempre em dinheiro, nunca em pontos ou pips. Distância até o stop vezes valor do ponto vezes tamanho da posição. É a conversão para dinheiro que permite comparar uma operação em índice com uma em forex.
Quantas operações preciso para o número dizer algo?
Não há número mágico, e quem promete um está chutando. O que se pode afirmar é o contrário: abaixo de algumas dezenas de operações a média em R é dominada por sorte, e tratá-la como resultado da estratégia é o erro mais caro de quem começa a medir.